Junho 2014

MY DEAR.MOON

Mas nossas unhas se perderam por nossas peles e
O tempo recolhe as memórias que ainda não foram juntas ao reflexo do teu rosto.
Zunidos poluem este enredo
Unido por amor, paixão e medo.

Nossas bocas são as chaves que não se encaixam,
Os códigos que desabotoam nossas vestes.
Juntos somos uma fonte de sangue e fúria.
Dentes rangendo em dor e luxúria...

Um escanção por nos provar pode dizer quantos anos nossas marcas têm?
Criamos opérculos sobre brânquias que não nos permitem respirar, enquanto
Naufragamos nesta lacrimal maré
que nos confessa um futuro regado por livros, romance e café.

Quem poderia assinar a autoria desta névoa, ma chéri?
Somos o eterno farol escarlate a brilhar para nós mesmos.
E se antes desta expectante vida lhe questionarem como esta linha continua,
Aponte para o céu; risque as nuvens, as estrelas, e a lua.





ONDE OS NOVOS DENTES NASCEM

“Ouviu-se um lamento vindo do leste. Almas anunciando um tempo de chuva e escuridão. O Senhor do Vento carregou todas as nuvens para a fúnebre festa e, com suas garras fincadas no firmamento, rasgou os céus com uma estrondosa tempestade.
                Uma época de medo, onde ladrões preferiam passar fome em suas casas. Os religiosos não cultuavam os deuses, e os descrentes já começavam a crer. Se houvesse luz naqueles dias, perceberiam que a cidade estava banhada em sangue, não em água.
                Criaturas da noite banqueteavam ao meio-dia. O tempo havia se perdido nos meandros da noite. Caos em meio à dança sincronizada de assassinatos. A morte, maestro de tal música sepulcral, regozijava-se ao animar os bailarinos empanzinados.
                Ocorreu, então, o esperado resultado. O aparente fim deste terror incomparável. Os seres noturnos fartaram-se. Suas tripas pesavam como as lágrimas de um recém nascido. Já não podiam andar. Amontoavam-se em pilhas de carne putrefata, enquanto urravam de sede.
                 A chuva que já não voltava há semanas, retornou com o choro dos deuses. As divindades se encontravam em horror, desmaio após desmaio, enquanto observavam as ações dos terrenos. O céu em luto. A terra em ardente vingança.
                Medrosos seres de sujas almas, todos empenhavam o ódio. As criaturas que antes provocavam dor, agora saboreavam o limite dela. Mas se iniciou um acontecimento inesperado, como é de costume acontecer com os que empenham algo com paixão. 
Vômitos formaram enchentes. Os dançarinos fúnebres restantes sentiram a náusea da doença humana. Tosses e escarros tornaram o figurativo em literal. Os atingidos pelo fétido córrego de excreções se transformaram nos seres que, hoje, sugam nossas vidas.”



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