Maio 2014

-OBAILEDOSSORRISOSSECRETOS-

Gélidos vampiros sob o luar da noite quente
Sugam o néctar dos pulsos fortes do jovem Eros
O cálice veste um fino tecido cerúleo
Enquanto o athame escarlate risca seios e ventre

Assim como um vinho de tempos imemoriais
A saliva embriaga os dançarinos ressumados
Em um baile secreto ao som de gemidos
Onde passos os levam profundamente ao mesmo lugar

Os caninos assinam o poema escrito sobre a luxuriosa pele
Sem a métrica de valsas poéticas
O rítmico escambo se envolve em sublimes tons
Ao decorrer da atritante caminhada à suprema alacridade

As colunas se envergam em inebriantes horripilações
Carníferas marcas nas retorcidas nucas
Notificam o lascivo encontro inolvidável
Desta díade inigualável




-TARÂNTULA-

Tenho um deus, para o qual nunca orei,
E amantes que nunca amei.
Sou o orvalho que estoura em uma pedra,
A água do aquário que se quebra,
A tarântula dançando pelas folhas
De um jogador eternamente sem escolhas.
Nunca se vai.
Apenas se esvai.
Dos cantos rimados de um pequeno bebê,
Aos ouvidos atentos daquele que não vê.
Não consigo gritar ou permanecer quieto,
Não sei o que fazer ou se isso importa ao certo.
Sou o chicote que me aflinge,
A charada da Esfinge,
Um carro sem freio
Surgindo de um grito que explode em meu seio.
Sou aquele que abraça sem sentir.
Um homem que nunca se foi - que nunca esteve aqui.
Pese o meu coração.
Sem feridas, sangrei até me tornar lama.
Que me transformem em vaso, e que este vaso quebre.

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