Junho 2013

-TIMEFORTEA-

Sua pele desbotada fez o risco escarlate gritar enquanto descia pela panturrilha

Explodiu em meio à espuma, o pequeno agora pisava em um lago de cor rubra
Cambaleou aos quatro cantos até achar conforto em um grupo de moluscos mortos
A tarde envelhecia e o relógio já soava quando se ouviu: “chá!”



Os olhos do mancebo alimentavam os lábios dentados de pedra ao pé da encosta
Netuno limpava seus cortes e espumava a laguna
Gritava: “Chá! Chá!”
Para os céus o púbere lançou os seus pedidos

O teto azul, há muito, se tornara nubiloso
Sua cor se esvanecia lado-a-lado com seu sangue
“Chá!” o mar gritou



Um canino do bucal rochoso serviu de palanque para o discurso:



“Maldito seja tudo que sair do teu ventre!
Malditas sejam as florestas que vivem em teu pélago!
Malditos sejam os monstros marinhos!
Malditos sejam os que velejam!
Maldito seja! Maldito seja! 
Esteve com meu pai enquanto o ar povoava os seus pulmões,
E mesmo com sua morte, não me oferece um tardio adeus.”



O vento soprou
O dente rasgou
Sua carne furou
E então, do pé do abismo até sua crista, pôde-se ouvir: “Chá! Chá! Chá!”

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